sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Artigo publicado no Jornal A Gazeta de 25/11/2011


Meu filho é gay. E dai?

Chega!

Chega de tantos faniquitos, de tanta homofobia, de tanta discriminação, de tantos discursos moralistas!

Desconheço uma família que não tenha pelo menos um integrante que não seja homossexual. Negar isso é negar o próprio sangue.

Tratam a homossexualidade como se fosse uma doença contagiosa ou ainda como se fosse uma opção.

Não é!

Homossexualidade se “trata” com amor e compreensão. Se “trata” com diálogo e afeto. Se “trata” com naturalidade.

Ninguém opta por ser discriminado, por ser diferente, por sentir atração pelo mesmo sexo quando o “normal” (entre aspas) é sentir atração física, estética e emocional pelo sexo oposto. Ninguém opta por ter tantos conflitos internos, por não se aceitar como é. Ninguém opta por se sentir um pecador, uma “aberração” da natureza.

Antes de uma pessoa se aceitar homossexual, ela vivencia tantos conflitos, tanta dor, que muitos preferiam nem ter nascido. Recomendo o filme “Rezando Por Bob”, baseado em fatos reais.

Muita gente só vê o lado safado, promíscuo ou libertino da homossexualidade. É bem verdade que muitos, sem o apoio da família, caem nessa armadilha e até se envolvem com drogas para poder encarar a sua realidade de forma entorpecida. É o submundo, o lado gueto escatológico da homossexualidade.

Mas a grande maioria não é assim. São pessoas inteligentes, que estudam, lêem, trabalham, são educadas, dedicadas, bons filhos, bons irmãos. Muitos até ficam no armário, uma vida inteira, sufocam sua própria natureza para não ofender a família. Conheço outros que se casam e até tem filhos para disfarçar a homossexualidade. Mas ela está ali, presente e atormentado esses seres que ficam tão amargurados, de mal com a vida, que é muito difícil a convivência.

Muitos que discriminam os homossexuais são os mesmos que abordam gays e prostitutas nas beiras das ruas para saciarem suas taras (a três, quatro ou mais pessoas) mas, como só fazem longe da esposa e entre quatro paredes (sem câmera fotográfica!), podem posar para a sociedade de homens (e héteros!) acima do bem e do mal.

A história está recheada de grandes líderes homossexuais e a homossexualidade é bastante comum na natureza. Pesquisas descobriram que aproximadamente 450 tipos de mamíferos e aves têm hábitos homossexuais, em maior ou menor grau.

Portanto, ser ou não ser homossexual independe de escolha. É da natureza animal racional ou irracional.

Você deve estar se perguntando, caro leitor, e o filho dela? O do título do artigo? É gay ou não é gay? Vou matar sua curiosidade.

Sim. Meu filho é gay!

Toda mãe sabe. Nós sentimos. Muitas podem até não admitir, mas que sabem, sabem! No meu caso, isso é bem conversado e resolvido, sem frescuras ou dramas.

Eu não optei por ter um filho gay. Isso não se escolhe. Mas amo meu filho e tenho muito orgulho dele! Ele é um ser humano de ouro! Ai de você se olhar com a cara feia para a minha cria! Estarei ao lado dele orientando, apoiando e defendendo seus direitos até o último dia da minha vida!

Você não tem noção do que uma Mãe (com M maiúsculo), democrática, amiga, parceira e cúmplice é capaz de fazer por um filho (gay ou não)!

Eliane Sinhasique é jornalista, radialista e publicitária

sábado, 23 de maio de 2009

O abuso também é feminino

Artigo publicado no jornal A Gazeta dia 22/05/2009

Nos últimos dias muito se tem falando sobre a questão do abuso sexual contra crianças e adolescentes. Sobre esse assunto eu penso que as disputas entre as próprias mulheres nos transformam nos seres humanos mais frágeis existentes na face da terra.
Culturalmente ou egoistamente falando, a mulher é inimiga da mulher, isso claro, generalizando.
A história e as pesquisas antropológicas revelam esse dado cruel. Nós precisamos rever nossos conceitos. Mulher precisa apoiar mulher.
A mãe disputa com a filha, ainda criança, o carinho e atenção do pai/marido. Quando a filha cresce a mãe disputa com a filha adulta os olhares masculinos. Tem mãe que até continua se vestindo como uma menininha adolescente e freqüenta os mesmos lugares que a filha. Essa disputa pode até ser inconsciente mas, acontece.
A esposa disputa o marido com a amante. A funcionária disputa com outra os elogios do chefe e por causa disso trabalha feito jumento para ser a mais elogiada.
No caso específico do abuso sexual, a maior queixa das meninas abusadas é justamente que as mães, as mantenedoras, não acreditam nelas.
Instintivamente, por já saberem que serão desacreditadas pela pessoa que seria o seu anjo da guarda, as meninas abusadas, se calam. Silenciosamente sofrem o abuso sem ter coragem de reagir porque sozinhas não conseguem provar o abuso que sofrem.
Conheço menina que foi expulsa de casa porque reclamou para a mãe que o padrasto a abraçou de forma diferente. Além de ter que sair de casa, essa menina foi chamada de mentirosa pela própria mãe.
Conheço meninas que foram colocadas, pela mãe, cara a cara com seus agressores para “provarem” que estavam sendo bolinadas e, dessa forma, os agressores, que são adultos e cheios de artimanhas, humilharam e ainda castigaram as meninas por estarem levantando “falso”.
Mulheres acusam as outras mulheres de serem interesseiras, de usarem suas pernas grossas para subir de cargo, acusam de dissimuladas, de fofoqueiras, criticam e quando podem humilham e denigrem a imagem da outra mulher como se isso fosse fazê-las superiores às outras.
Grande idiotice!
Enquanto nós mulheres não nos conscientizarmos de que padecemos dos mesmos dramas e privilégios, inerentes ao sexo feminino, seremos frágeis nas mãos de nossos algozes que tão bem sabem manipular nossa disputa contra nós mesmas.
Mulheres menstruam, sentem cólicas, sentem medo, dor de parto, dor de depilação, dor de amor e desamor. Mulheres num momento são endeusadas e num outro odiadas pelos mesmos homens. O que é que nos faz ser inimigas das nossas semelhantes???
Vejam os homens. Eles se protegem, não se denigrem, se colocam no lugar do outro e até mentem para proteger a “raça”.
Para combater o abuso sexual há que se rever o comportamento feminino para com o seu próprio gênero. Enquanto as mulheres não acreditarem nelas mesmas, continuaremos a ser estupradas, abusadas e bolinadas com a conivência ou com a inércia das próprias mulheres.
Infelizmente.


Artigo publicado no jornal A Gazeta dia 22/05/2009
sinhasique13@gmail.com

quarta-feira, 20 de maio de 2009

A falta de vergonha

Está rolando na internet um e-mail bem interessante.
Trata-se do kit falta de vergonha:
Vai transar? O governo dá camisinha.
Já transou? O governo dá a pílula do dia seguinte.
A menina engravidou? O governo dá o aborto.
Teve filho? O governo dá o Bolsa Família.
A família aumentou? O governo dá a moradia.
Tá desempregado? O governo dá Bolsa Desemprego.
Pegou Aids? O governo te dá tratamento e apoio.
Está preso? O governo te dá boa comida, Auxilio reclusão, repara os danos que você faz no presídio, te oferece direitos humanos.
Vai prestar vestibular? O governo dá o Bolsa Cota.
Não tem terra? O governo dá a Bolsa Invasão e ainda te aposenta.
Mas experimenta estudar, trabalhar e andar na linha pra ver o quanto de imposto você paga!
É. É isso mesmo.
No último dia 30 de abril todo brasileiro deve ter entregado a tal declaração e ficado sabendo o quanto de imposto deve pagar para o Leão. Apesar de a fera estar menos voraz esse ano, pagar imposto para o governo ficar bancando a madre Tereza de Calcutá é revoltante.
Não me agrada pagar 27,5% do que ganho para não ter os “benefícios” que o governo deveria oferecer ao usar esse dinheiro. Além do Imposto sobre nossa renda ainda temos que pagar, no dia a dia, mais impostos sobre todos os produtos que compramos.
Os menos esclarecidos, as pessoas que ganham anualmente abaixo do piso estabelecido pelo governo, acham que ao comprar uma lata de leite para um filho está comprando apenas uma lata de leite. Não sabem que estão, também, pagando o IPI, Imposto sobre Produto Industrializado.
O dinheiro para fazer a caridade social sai do bolso de todos, indistintamente.
Além da caridade que o Governo vem fazendo, ainda temos os desvios dos recursos financeiros. Nosso dinheiro vem sendo mal aplicado. Todos os dias, na grande mídia, pipocam denúncias e mais denúncias do mal uso do dinheiro público.
Pagar imposto é doloroso e o mal uso desse dinheiro é uma falta de vergonha.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Da série reescrevento o que já foi dito...

"Ensina as crianças para não castigar os homens" - mais ou menos isso...
Pitágoras

O BOATO É UMA M...

Mentes sórdidas criam boatos. Boatos são situações imaginárias envolvendo pessoas de bem em crimes imaginários.
Mentes sórdidas acreditam na sua imaginação e verbalizam suas criações, com tanta convicção, que quem ouve pensa ser verdade os fatos narrados.
Mentes sórdidas não respeitam família, não respeitam o ser humano e destilam seus venenos sem se importar com os estragos que esse tipo de boato pode causar na alma e na vida de suas vítimas.
Mentes corrompidas pelo mal criam falatórios tão mesquinhos quanto seus corações.
Mentes puras e limpas devem desconfiar dos falatórios, dos boatos.
Boato é uma notícia anônima que corre publicamente sem confirmação.
Aldous Huxley dizia: “Os fatos não deixam de existir pelo simples fato de os ignorarmos”. Por isso resolvi escrever este artigo. Não posso fazer de conta que os boatos não me incomodam.
Boato não é bom para quem cria e nem para quem dele é vítima. Boato é a extensão do que passa pelas mentes sórdidas impregnadas pela inveja.
Uma pessoa só solta esse tipo de veneno quando está impregnada pela inveja. A inveja é o desejo violento de possuir o bem alheio, é querer estar no lugar de outro para poder usufruir o que de bom acontece na vida do outro.
A inveja cega quem a sente.
Quem é invejoso só consegue enxergar a grama verde no jardim do vizinho. A inveja não deixa a pessoa ver quantos dias de trabalho e adubação foram necessários para que a grama verdejasse.
A inveja transforma as pessoas em falsos seres humanos. Ô povo falso! Ô povo mentiroso! Ô povo dissimulado! Quando te encontra faz uma festa e, longe de você, te detona.
Infelizmente eu e mais uma porção pessoas somos vítimas, todos os dias, desse tipo de gente (uma meia dúzia de invejosos).
Se hoje posso me presentear com viagens é porque trabalhei e sempre soube gastar o meu dinheiro de maneira responsável. Sou uma economista de nascença. Não devo em butiques e salões de beleza. Nunca gastei um centavo além do que podia. Sempre negociei o melhor desconto, a melhor pechincha.
Tenho orgulho de dizer que nunca dei um cheque sem fundos, nunca deixei de cumprir com minha palavra, não chego atrasada nos meus compromissos, nunca fui leviana com meus patrões e sempre dei meu sangue, meu suor e minha saliva pela melhor matéria, pelo furo jornalístico, pelo melhor programa para meus ouvintes. Sempre respeitei minhas fontes e meus princípios de moralidade e honestidade.
Se eu tenho que falar alguma coisa para alguém eu digo na cara, na hora ou num momento oportuno (às vezes até num momento inoportuno!) mas, digo.
Hoje, depois de mais de 22 anos de carreira, posso bater no peito e dizer: eu sou mais eu e a minha grama é verde porque eu trabalho muito.
Pessoas invejosas são incompetentes porque querem se dar bem sem trabalhar.
Para essas pessoas um lembrete: o sucesso só vem antes do trabalho no dicionário.